quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Partida

"...que partias para me deixar com a vida que é minha e a qual tu não pertencerias nunca. É já tarde, eu sei, mas agora que penso nisso vejo que havia tanto para te dizer. Devia ter-te dito que o meu * por ti é independente do resto da minha vida; que é como um pássaro enjaulado que quer voar mas tem medo do mundo lá fora por que sente as asas frouxas. Tenho pensado tanto nisso; tenho pensado tanto em ti..."

"O amor é para os Parvos" - Manuel Jorge Marmelo



Eis o livro que marcou grande para da minha vida. "O amor é para os parvos"... "mas eu sou um velho parvo meu amor". É bem verdade. Parva!

Tenho esta mania de emprestar os livros que mais amo a toda a gente que depois acabo por nunca os recuperar, como foi o caso deste... O que me vale é ter parágrafos na minha memória que não dão para emprestar por que senão de certeza que também os emprestava e perdia no tempo. Parva!


A partida é só para aqueles que partem? Não é também para aqueles que vêem partir?
Não parte um pouco de nós em todos que partem?

Ainda no outro dia a Tinkerbell divagava sobre o facto de cada vez que abrimos as portas do coração a alguém, o nosso coração aumenta de modo a caber mais um ou será que ao darmos um pouco do nosso coração a quem amamos, acabamos por ficar sem coração nenhum porque tínhamos-lo dado todo?! (ler aqui)

Contrariamente a ela, eu acho que damos um pouco de nós a todos que amamos e aos poucos vamos ficando sem nada... Nada para dar, nada para retribuir, nada em que acreditar! No dia em que essas pessoas partem levam esse pouco de nós, do nosso passado que nunca conseguimos recuperar, rectificar, apagar! A cada nova oportunidade, na próxima vez em que iremos usá-lo, faltará lá aquele pedaço e por mais que queiramos, nunca poderemos, nunca mais, amar na totalidade.


É como a história dos pregos e da tábua, das mágoas e do nosso coração. Quando alguém prega um prego na tábua do nosso coração, mesmo depois dos os retirar a tábua nunca mais fica igual, ficam sempre marcas. Não há "desculpa" que tapem esses buracos!

Li num livro de Margarida Rebelo Pinto, já li tantos que já nem sei em qual, que "a distância é para o amor como o vento para os incêndios, ateia os mais fortes e apaga os mais fracos". E agora que chegou o momento da partida, não sei o que pensar...

Mas o que sei, é que a partida não é só para aqueles que partem é também para aqueles que vêm partir e que um pouco deles parte também com quem partiu.
Quem parte, parte para a aventura, para o novo, o fascinante mundo do desconhecido. E quem fica... fica onde sempre ficou, a espera de quem um dia partiu. De quem será a maior dor?! de quem parte ou de quem um dia viu partir? Não há comparação no sentimento da dor mas sinto-me no direito de perguntar!!!

Para ti, que partes, não te esqueças de quem te vê partir, e nada mais pode fazer senão te deixar partir.


O vento sopra lá fora...

3 comentários:

Don't worry, be happy disse...

Acho que nos calha a todos partir, pelo menos uma vez na vida. Contudo, acredito que mesmo para quem parte, à sempre algo que fica, que é intocável e que está sempre lá.
Sim, é verdade que o desconhecido, a aventura é sempre entusiasmante, mas não tanto quanto a certeza do que somos com o que já conquistamos já que é isso que define a nossa identidade. Embora longe, em Km, sinto-me cada vez mais perto, por isso nunca te esqueças que esta aventura não é minha. É NOSSA, à já quatro anos.

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Tinkerbell disse...

Acho que nunca ficamos sem algo de nós para dar. E, acho também, que não só damos um bocadinho de nós como expandimos o tamanho do coraçao para que eles caibam cá dentro. E depois é giro porque andamos de um lado para o outro a passear com eles.
Tenho andado para te fazer uns comentários (e ainda os hei-de fazer pq mais vale que nunca), mas ando desinspirada.

A partida doi para ambos os lados a partir do momento em que existem sentimentos dos dois lados, depois doi mais consoante os sentimentos que são e/ou também o grau de apego (nao gosto ali do grau, parece que estou a falar de algo banal, como um objecto).

Mas uma partida é sempre dura.
E as despedidas? |:

(e isso de emprestar livros e nao devolverem não dá com nada!!!! tb me fazem o mesmo, qq dia paro de emprestar livros)

Niu_esi disse...

As partidas são sempre dificeis quando especialmente para que parte não se sabe o que se deixa para traz. E para quem vê partir a magoa do que poderia ser o futuro sem a partida...

Gostei da história dos pregos e da tábua! É bem verdade.

Bjs